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Perguntas e Respostas

O que é o luto?

É o processo que se dá após uma perda, seja ela por morte, separação, fim de um projeto, etc.

Como se dá o luto?

Para o processo de luto evoluir de forma saudável necessita, de um lado, que o enlutado se permita vivê-lo e se conceda um tempo e um espaço fora da agitação diária para assimilá-lo. Por outro lado, é importante que o enlutado não fique resignado, esperando passivamente sem tomar a decisão de ajudar-se, de ser ativo em seu processo e não vítima.
Há algumas formas de fazê-lo, começando por decidir-se a “viver um bom luto”, a sentir, a expressar em palavras o que sente, a recordar, para pouco a pouco, podermos nos acostumar com a ideia de não mais existir no nosso mundo externo. Há uma concepção em forma de tarefas que nos leva a refletir, a agir, a assumir nossa responsabilidade conosco. Então, para ajudar a nós mesmos, podemos revisar nosso próprio processo à luz de quatro tarefas que como tal devem ser resolvidas para progredirmos, e cada uma pressupõe a conclusão da anterior. São elas: Aceitar; Sentir; Reorganizar-se e Reinserir-se na vida.

Quais as reações mais comuns no enlutado?

Observamos reações físicas, emocionais, cognitivas e comportamentais com tempo de duração variável. Segue abaixo alguns exemplos. Físicas: Aperto no peito, nó na garganta, falta de ar e respiração curta, fadiga, queixas somáticas, suscetibilidade às doenças principalmente ligadas ao estresse e baixa de imunidade. Emocionais: Culpa, choque, tristeza, raiva, alívio, hostilidade, ansiedade, depressão, agitação, solidão, desejo de estar com o falecido. Cognitivos: Déficit de memória e concentração, pensamento obsessivo, descrença e alucinações. Comportamentais: Distúrbios do sono e apetite; aumento do consumo de psicotrópicos, álcool e tabaco, isolamento social, hiperatividade e inquietação.

O luto termina? Sofro muito em datas especiais.

Não é possível precisar em termo de tempo. Na perda de alguém com quem mantinha-se estreita relação de apego, dificilmente a elaboração se dá em menos de um ano. O processo é bastante individual e não é linear; Assim, em datas especiais podem ocorrer uma revivência dessa dor. O primeiro aniversário de morte nos faz reviver sentimentos, emoções e lembranças que nos assustam por sua intensidade inesperada depois de tanto tempo. Compreender que é natural e que não devemos nos preocupar, ajuda. Não se trata de uma recaída, mesmo que de certa forma sintamos assim. De qualquer maneira, o luto é um processo recorrente e diante de certos estímulos (um filme, um livro, um relato ou outro luto) podemos revivê-lo depois de anos. Mas isso tende a ser passageiro. Em poucos dias voltamos a adquirir o equilíbrio e a paz já conquistados, graças a termos decidido um dia a transformar a relação com esse ser amado que morreu, a transpor o vínculo para uma posição onde podemos recordar sempre com um sorriso e, quem sabe, com uma lágrima, sem que a lembrança impeça nosso profundo compromisso com a vida, com a felicidade e com o amor.

É importante ir ao funeral?

Os funerais ou os enterros, como também chamamos, são muito importantes no processo de luto, pois constituem um rito de passagem, uma cerimônia que não é mais nem menos que um comovido adeus a quem se ama, um ritual de despedida. Está comprovado que assistir aos funerais é triste, mas é emocionalmente saudável por tratar-se de algo como um evento oficial, que confirma a morte da pessoa querida e o início do processo de luto. Aquelas pessoas que, por um motivo ou outro, não podem assistir ao enterro, tendem a ter mais dificuldades para assimilar a ideia da morte como partida final e irreversível.

As crianças devem ir?

As crianças e os idosos não devem ficar de fora destas experiências de afetos em torno da dor. Com uma prévia explicação clara, sem abundância de detalhes, por parte de um dos pais, preferencialmente, a criança tem a capacidade de assistir ao enterro de seu ser querido e de encontrar um significado na cerimônia. Pode-se oferecer-lhes a oportunidade de pôr cartas, desenhos ou flores sobre o ataúde.

Como conto para o meu filho sobre a morte do pai?

É importante que a criança receba essa notícia através de uma pessoa da sua confiança. Isso assegura que ela não está sozinha e que há alguém que pode continuar a lhe prover e dar segurança. A notícia deve ser dada o mais breve possível e de forma simples e clara, sem o uso de metáforas. Não preocupe-se caso chore, segurar as lágrimas realmente será difícil. Isso assegurará para criança que ela também pode expressar seus sentimentos. Estimule-a a falar e expressar o que sente, assim amenizará a expressão de sentimentos através da raiva, agressividade, irritação e apatia.

Acho que gostaria de mudar de casa! Devo?

Tomar decisões importantes não é aconselhável em épocas de luto. Mudar-se de cidade, sair de casa, adotar um filho, romper ou estabelecer relação amorosa, fazer longas viagens, tudo isso pode mascarar uma necessidade de negar, de ignorar a perda e sua dor e fazer “como se nada” tivesse acontecido. Mas, finalmente, não é possível negar sempre a perda e esta termina banhando mais adiante nossa vida de tristeza, que se revela em depressão, de raiva que se converte em agressividade, de angústia que leva ao pânico, de sentimentos reprimidos que se convertem em enfermidades físicas e psicológicas.

Será que fiz algo errado? Será um castigo?

Na incessante busca de uma explicação coerente para o acontecido nos auto-reprovamos pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Isso é natural, mas é indicado compartilhar o sentimento de culpa com alguém que possa mostrar nossas ações por um outro ângulo, por outra perspectiva e é importante conseguirmos nos perdoar e compreender que toda relação humana é imperfeita, que todos erramos e, se olharmos bem, seguramente confirmaremos que em cada momento de nossas vidas fizemos o melhor que pudemos, com a melhor intenção e com os recursos que tínhamos ao nosso alcance.

Eu voltarei a ser a mesma?

A resposta é: “a mesma? Jamais”. Agora, é possível que melhor; por que um luto questiona, depura, transforma quando nos permitimos vivê-lo em toda a sua intensidade e com todas as suas implicações. O luto é uma reconstrução. Será construída uma nova identidade, novas crenças, novos sonhos. O luto é um caminho para uma nova etapa de vida.

Qual objetivo da terapia do luto?

Conforme nos aponta Worden, a psicoterapia do luto possibilita algumas mudanças diante do processo de luto:
- Alívio ou supressão dos sintomas;
- Mudanças com relação a perturbações da situação-problema;
- Adaptação à nova situação;
- Aquisição de consciência da enfermidade psíquica;
- Recuperação, elevação ou auto-regulação da auto-estima;
- Outras modificações favoráveis (referentes a dificuldades em diversas áreas da vida);
- Consideração de projetos para o futuro.

DICAS:

– Procure um médico e faça um check-up. Um evento estressante como uma perda pode ocasionar desgaste físico e emocional. É importante estar bem fisicamente para enfrentar esta dor.
– Procure pessoas que você se sinta a vontade para conversar. Poder ser ouvido, muitas vezes, já é o suficiente.
– Não exite em procurar ajuda profissional quando perceber que os familiares e amigos não estão sendo suficientes para apoiá-lo nesse momento de dor.
– Tente retomar a rotina, mas respeite os seus limites. Evite situações ou decisões estressantes.
– Fique atento às atividades que lhes são prazerosas. Fazer algo agradável não vai fazer você esquecer a falta da pessoa que perdeu, mas oferece energia para enfrentar os momentos difíceis.